Ética entre os Umbandistas

SEI QUE ESSE ASSUNTO é muito sério e tenho ultimamente me deparado com muitas situações que me fazem pensar em desistir, mas prefiro pensar num futuro melhor. Vou explanar detalhadamente como penso sobre esse tema.

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Cada terreiro de Umbanda é uma casa de Deus e dos Orixás. Então, todos os umbandistas deveriam ter livre acesso a todos os terreiros, assim como ocorre com os irmãos de outras crenças. Um médium, ao entrar em outro terreiro, deveria ter a conduta de se identificar médium de outro terreiro e que está visitando a casa, fazendo isso evitaríamos muitos constrangimentos. Por outro lado, vamos ver a conduta sacerdotal. Se um médium está visitando outro terreiro pode ser por vários motivos:

1) O mesmo foi convidado por amigos;
2) Pura curiosidade;
3) Buscando uma palavra amiga, pois está em desentendimentos no terreiro em que frequenta;
4) Ajuda na Curimba;
5) À procura de um curso, etc. Em todas as situações, a conduta sacerdotal deve ser sempre a de ser neutro! A conduta sacerdotal é muito importante pois ela será o espelho da religião! Um Sacerdote jamais deve inflamar um desentendimento com quer que seja, deve sempre tentar buscar a harmonia.

Assim:
1) Se existem visitantes de outra casa, receba com harmonia, pois são irmãos de fé;
2) Se identificar médiuns de outra casa, receba também com harmonia e em ambas as situações (intens 1 e 2), jamais coloque as mãos em sua coroa, pois tem quem cuida dela;
3) Sempre orientar o diálogo direto com os Pais espirituais, dar um passe sim, mas nunca mexer na coroa do médium;
4) A Curimba é sagrada e movimenta energias em seu terreiro. Jamais desfaça de seus ogãs por causa da visita, mas receba os visitantes com harmonia. Oriente seus ogãs sempre a tratar bem e não fazerem caras feias quando a outra Curimba puxar um ponto em tom ou melodia diferente. Apenas acompanhe;
5) Se existem médiuns de outras casas fazendo cursos em seu terreiro, trate-os com respeito. Não se esqueça que são irmãos de fé. Infelizmente recebo notícias alarmantes de Sacerdotes exigindo que alunos de cursos venham em suas Giras, que participem de atividades de seus terreiros, e exigem ser chamados de Pai ou Mãe. Isso é falta de ética e de humildade para com o Sacerdote que na confiança, mandou seus filhos para aprender e  não para serem assediados. Recebo notícias também de que, em visita, sua Curimba foi maltratada e que não os deixam participar das festividades ou evento. Isso é falta de irmandade e respeito! Soube que Sacerdotes manifestados orientam médiuns de outras casas a deixar o seus terreiros por motivos diversos e virem para sua casa; um Guia de luz recebe o médium com amor e o orienta a voltar e conversar com seus Pais e não o convida para sua corrente. Dentro do terreiro, a falta de ética existe também desde o Sacerdote até os médiuns.

O Sacerdote, por questões de afinidade pessoal ou financeira, acaba dando a médiuns novos a posição de Pais pequenos ou privilegiada sem
ao menos conhecer a mediunidade de tal pessoa. E os médiuns mais velhos, com anos de cumplicidade são deixados de lado.

Ocorre também de médiuns do terreiro, desprovidos de ética e respeito, começarem a visitar terreiros sem ao menos comunicar seus Sacerdotes e estes ficam sabendo por terceiros.

Médiuns que se acham autossuficientes convidam médiuns da Casa para participar de Giras em sua casa ou chamam médiuns da corrente para fazerem trabalhos de descarrego, desobsessão seja onde for e não comunicam seus Sacerdotes.

Sei que existem médiuns muito capazes, mas isso não lhes dá o direito de fazerem uso de médiuns do terreiro que frequentam. Médiuns mais velhos que deveriam dar o exemplo de humildade e receber com amor e orientar irmãos mais novos, se sentem ameaçados e maltratam os irmãos mais novos.

Médiuns insatisfeitos com a conduta do Sacerdote, ao invés de conversar diretamente com o mesmo, inflamam suas insatisfações com outros médiuns, dando início a FOFOCA.

E muitos outros exemplos eu poderia dar. Toda casa quando recebe irmãos que saíram de outras casas por motivos diversos, se quiser entrar em sua corrente, deveria frequentar no mínimo três meses na assistência.

Todo Sacerdote deveria orientar sempre médiuns de outras casas a buscarem sua raiz, e não querer aumentar a sua corrente.

Todo médium, ao sair de uma casa, deveria sair pela porta da frente. Do mesmo modo como entrou, pedir a benção, guardar para si o que foi bom e o que não foi deixar na casa, e não sair comentando e difamando a casa, pois enquanto frequentou lhe serviu.

Por Paulo Ludogero